Provocar e depois culpar quem sentiu é o truque mais antigo que existe.
O que essa frase quer dizer
A sequência é conhecida. Alguém faz algo calculado para incomodar, você reage, e o assunto muda instantaneamente de lugar: agora a discussão é sobre a sua reação, não sobre o que a provocou.
“Você é muito sensível.” “Está exagerando.” “Não dá para falar nada com você.”
É uma inversão eficiente porque coloca o ônus da prova em quem sentiu. De repente você está defendendo o direito de ter se incomodado, e o comportamento original saiu de pauta sem nunca ter sido discutido.
O detalhe que desfaz o truque: o efeito era previsível. Quem escolheu aquelas palavras sabia o que elas causariam — não é preciso muito repertório para prever.
Sensibilidade existe e varia de pessoa para pessoa; isso é real. Mas quando a “sensibilidade” só é diagnosticada logo depois de uma provocação, ela não é uma observação sobre você. É uma manobra para trocar o réu da conversa.
Devolver o assunto ao lugar costuma bastar: “vamos falar do que você disse”.