Ataque a ideia o quanto quiser. A pessoa não é a ideia.
O que essa frase quer dizer
Existe uma linha que a maioria das discussões atravessa sem avisar. De um lado está o argumento: isso está errado, os dados não sustentam, eu vejo diferente. Do outro está a pessoa: você é burro, você é mal-intencionado, quem pensa isso não presta.
A passagem costuma acontecer no momento em que alguém está perdendo o mérito da discussão. Quando o argumento acaba, sobra atacar quem argumenta.
O efeito é que a conversa morre ali. Ninguém muda de ideia enquanto está se defendendo de uma acusação pessoal — a energia vai toda para o contra-ataque.
Manter a linha é o que permite discordar por anos com alguém e continuar próximo. É possível achar a posição do outro profundamente equivocada e ainda tratá-lo como alguém digno de conversa.
Um sinal prático de que a linha foi cruzada: quando você começa a falar sobre quem a pessoa é em vez de sobre o que ela disse. Aí não é mais debate; é outra coisa.