Um elogio parece exagero. Uma crítica parece confirmação de tudo que você já suspeitava. Você quer tentar algo, mas pensa que seria constrangedor até se candidatar. Se reconhece esse movimento, vale olhar pra ele com cuidado.

Autoestima é a avaliação que fazemos de nós mesmos. Ela pode variar entre situações e fases. Autoestima baixa persistente merece atenção, mas não é um diagnóstico que se fecha com uma lista na internet.

Como isso pode aparecer

Observe padrões, sem usar estes exemplos como teste:

  • Descartar elogios e guardar apenas comentários negativos.
  • Concluir que um erro específico revela uma incapacidade geral.
  • Evitar pedidos ou oportunidades por antecipar rejeição.
  • Aceitar compromissos que não cabem por medo de desagradar.
  • Depender muito de aprovação pra decidir se fez algo aceitável.

Os mesmos comportamentos podem ter outras explicações. Recusar um convite, por exemplo, pode ser preferência, falta de dinheiro ou cansaço. Você precisa do contexto, não só do sinal isolado.

O que pode influenciar a autoestima

Experiências de crítica, discriminação, perdas e exigências difíceis podem participar da forma como alguém se avalia. Isso não significa que toda dificuldade atual venha da infância ou de uma única causa.

O NHS descreve relações entre experiências de vida, autocrítica e autoestima. A história de cada pessoa precisa ser compreendida individualmente; um artigo não consegue determinar a origem do que você sente.

Autoestima, confiança e cuidado consigo

Os termos se aproximam, mas ajudam a fazer perguntas diferentes:

  • Autoestima: como estou me avaliando?
  • Confiança numa tarefa: quanto acredito conseguir fazer isso, com o preparo que tenho?
  • Cuidado consigo: o que estou fazendo pra atender minhas necessidades e respeitar meus limites?

Você pode confiar no próprio trabalho e se sentir inseguro numa relação. Também pode escolher se cuidar num dia em que não gosta muito de si. Não precisa esperar a sensação melhorar pra merecer respeito.

Um registro pra sair do julgamento geral

Pense numa situação recente e anote três coisas: o acontecimento, a frase que disse a si e uma descrição mais precisa.

Exemplo: “Não sou interessante” surgiu depois de você ficar calado num encontro. Uma descrição possível: “Eu conhecia pouca gente e tive dificuldade de entrar na conversa”. A partir daí, dá pra pensar num próximo encontro menor ou num assunto que gostaria de compartilhar.

O exercício não prova que foi tudo bem. Ele ajuda a localizar uma experiência, em vez de transformá-la numa sentença. Para outras possibilidades, veja 12 práticas para fortalecer a autoestima.

Relações não são responsabilidade de uma pessoa só

Sentir insegurança não explica nem justifica desrespeito de parceiros, familiares ou colegas. Você não ensina alguém a te maltratar por não gostar o suficiente de si. Comportamentos abusivos são responsabilidade de quem os pratica.

Ao avaliar uma relação, observe também os fatos: acordos são respeitados? Existe espaço pra discordar? Você pode pedir ajuda sem ser humilhado?

Quando procurar ajuda

Se a autocrítica vem acompanhada de sofrimento persistente, isolamento ou prejuízo na rotina, procure um profissional de saúde. Se houver risco de se machucar, busque ajuda imediata e não fique sozinho com esse risco. Não é preciso resolver tudo por exercícios de escrita.

Aplique hoje e passe adiante

Escolha um julgamento que costuma fazer sobre si e reescreva como descrição de uma situação. Compartilhe essa possibilidade com alguém de confiança, sem tentar diagnosticar essa pessoa. Pode começar com: “Tenho me cobrado assim. Você também passa por isso?”